Heitor chegou tão surpreendente quanto a notícia de sua gestação. A BOLSA ESTOUROU!

As escadas do hospital viraram uma academia, onde um pai ansioso saltava os degraus para tentar não ser dominado pelos pensamentos 50% bons, 50% ruins sobre o nascimento.

As paredes brancas do corredor não lhe trouxeram tranquilidade, e por isso, estava ali, se exaurindo; correndo; suando e tentando não pensar.

Entra e sai de pessoas. Correria. Alguém foi para as escadas. Iria também correr?

Um pai sentado, suado e exausto. O outro de pé, recitando um canto de Édipo Rei e fumando uma fila de cigarros. Entre um pesado respirar, um trago e uma tosse.

TROCARAM DE LUGAR!

Alguém abriu a porta.

- Ei, é proibido fumar!

Um pensou: - Que merda!

O outro: - Ufa, ainda bem!

Os dois na mesma situação. Espera, seguida de espera, abanados pela frustração da demora.
A mente humana é um abismo, onde são jogados dados. Quem tirar ímpar espera pelo par, pois não se pode ficar sozinho.

A catábase é feita todos os dias. Alguns trazem histórias e outros parecem somente ter ido ao dentista: " - Foi apenas uma visita de rotina! ".
Esperar um bebê nascer é uma catábase. Palitos de dente usados para marcarem o caminho. Mas, para quê? Não é preciso! O deus da ansiedade sempre traz o mortal de volta.

No imaginário há um choro. Na realidade, um berro. O BEBÊ NASCEU!

ALELUIA! UFA! PORRAAA! E por aí foi-se mais um dia no hospital.

Agora, depois de toda essa saga, só restaria descobrir quem era o pai oficial: o fumante ou o velocista das escadas!


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