Os olhos invadiram
Atravessaram a porta da timidez e quebraram as janelas do
silêncio

Os vidros se estilhaçaram, se espalhando e virando pó. Meus pés pisaram e sentiram as ranhuras

As batidas do meu coração despiram-me de minhas lamúrias, e as roupas ficaram no chão como os cacos de vidro

Com o corpo em brasas fui levado para a nuvem mais alta e talvez a mais esquecida dos olhares

Fui vítima do meu próprio sentido, e nada mais fazia sentido

Mas, por que haveria de existir sentido?

Tudo começou com um olhar, então por que o sentido é tão importante?

Fui atraído e me joguei sem olhar para baixo. O abismo me pareceu atraente. Pareceu ser cheio de vida no final.

Eu estava caindo no meu próprio abismo antes disso.
No vazio que se fez dentro de meu tudo.

No momento do olhar, a única ação possível foi olhar... somente olhar

Fui tomado, levado para longe. Longe de tudo, todos e somente perto do olhar

A cor invadiu meu fosco e brilhou como a última estrela que me viu sorrir

Sai num piscar de olhos do caos em que estava: morto em vida, preso e caindo em meu próprio abismo

Pensava a todo o momento que alguém deveria proibir o coração de amar, pois aí, ele bateria somente para errarmos e tentarmos acertar

Vou fechar meus olhos para tudo. Irei acertar o alvo do erro, pois quem terá mais razão?

Quem terá realmente, de fato e de verdade me resgatado? O olhar do meu coração?

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