Invadiu-me a noite como fera disparada, porém sutil como a chegada da lua.

Traçou as palavras com a beleza dos lábios e os desenhou nos meus.

Para pintá-los só faltou encostar, e essa é a tentação que caminha junto com a presença.

A cada piscar, um surto de lembrança, favos de mel escorrendo pelo canto da boca.

Quis tocar-te, desejei e em meus sonhos pairaste como a neblina da manhã.

A voz, o cheiro, o gosto. Aonde estavas? Por que nos meus sonhos? Por muito tempo não sonhei, pois a insônia guiava-me ao pesadelo da realidade dos olhos abertos.

Onde havia sequidão houve vida, a terra foi encharcada, os grãos cresceram e os frutos nasceram.

Do mais puro sabor, o néctar escorreu como a queda de uma cachoeira.

A presença sem avisar chegou, brindou com os átrios e com leveza me fez querer... querer muito.... desejo ardente que queima a solidão e traz de volta aquilo que a noite trouxe:

PAIXÃO!

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