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Mostrando postagens de Novembro, 2014
Renasço hoje, porém não no tempo atual. Renasço no tempo da infância. Ser amigo do tempo, pular cantar, correr e sorrir.

Ser o rei de um mundo, o mocinho da donzela ou um barco a vagar mesmo quando a chuva impede se sair.

Renasço na infância, no simples e único prazer de ser. Renasço na infância, onde posso pular, correr e sorrir, pois o difícil de ser grande é crescer, e o lado bom disso tudo, ainda não descobri.

Puro e sem gelo

Talvez, essa seja a última dose que me libertará. O último amargo quente, angustiado e sem controle que descerá direto para as entranhas quase sem vida chamada de alma. Um traste pileque. Um triste soluçar e rolar de lágrimas furtivamente guardadas para um dia tentar entender.
Talvez, essa noite dure mais do que a dose. Talvez, ela nunca termine. Talvez, ela se torne o mais profundo que um dia pensei em chegar.
Medo! Recebo como cortesia em uma bandeja polida e com os dedos do garçom sem face prontos para me açoitarem, virados para mim. Na entrada deixei minha pele para me sentir a vontade e não me aperrear com o possível calor promovido pelas falas intoxicantes dos copos vazios.
Um desejo quase irracional arrepia minha espinha e torce com agressividade meus pulsos. A correntes que trago sem querer estão espalhadas no caminho, e minha sombra estabanada tropeça nelas, causando-me vergonha.
- MALDITA! Por que você é assim?
A dose vai rasgar minha garganta, tenho certeza. Minhas pernas vão sum…
De um até dez... um longo caminho. Sílabas atônitas, respirando em cada intervalo.

Arrancaram-te pêlos, elos, olhos, fraternos, martelos e imersos.
E conto... o terrível, o incerto, o mórbido do dez (membrar). 

Dez (membro) quando chega ao dez. E agora, sem pernas, como andar?

Quero...

Quero que saia do teu conforto, da tua imagem, do teu abrigo, da tua tarde, do sol que nasce e nunca pare de sair.

Quero que venhas contra tudo e todos. Lembre e esqueça; faça e desfaça; inunde e resseque.

Quero que mates a lua, cuspa nas estrelas, cave o chão que pisar. Acabe com tudo pertencente a ti. Morda o rabo do gato e lata se for preciso.

Quero que taque-se contra o vento e beba toda a água do mar. Que naufragues sem se debater. 
Prove que a gravidade também é poesia. Que o mar em fúria é uma fera ferida.

Beba o ácido que quiser. Faça carinho em uma serpente e chute a pedra no caminho. 

E se depois de tudo isso ainda estiveres viva, olhe em frente e siga, porque bem ali estarei de braços abertos, para que tu tenhas mais um grande desafio: AMAR!

Portanto, quando seu olhar estiver em profunda sequidão, convido-te com exaltação para refrescá-lo nas fontes transbordantes de minhas palavras.
Muito de mim está nos versos que carregas em seu olhar.
Se os dias somente fossem dias, tudo o que o amor plantou em ti seria a mais bela primavera, alegrando o jardim de minha alma. Porém, a noite também existe, e dela retirei a lua para colocar em seu olhar.