A vejo passar

         A vejo passar, sendo mais rápida que a sombra produzida pelo sol do fim de uma tarde sem grandes razões. Teus olhos não são mais os mesmos e a cor viva de seus lábios estão longe de ti, colorindo as maçãs quase ressequidas pelo passar do tempo. 
      Ergues sua postura, esquiva-se do meu tom observador e um tanto curioso e solitário. Move-se como as folhagens balançadas pelo sopro de qualquer vento.
      A vejo passar e não reconheço o que vejo. Tudo está fora de ordem, embaralhado com meus anseios. Acredito que tenha sido a distância, a falta de minhas palavras. Vejo no seu andar a ameaça que virou realidade de ser tudo o que me assustava.
      Senti que minhas mãos quiseram prender-se em seu quadril e nunca mais soltá-lo, porém tudo não se passou de um desejo, pois nunca mais serás a mesma pessoa.

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