Se dizes que estás bem longe de minha presença,
e que seus dias nascem e terminam como antes,
vá, siga como estás. Porém, afirmo-te, com os céus,
tendo os astros como testemunhas,
que minha vida perdeu a cor e a vitalidade.

Distante o suficiente para me perder e se rumo vagar pelo Ades,
grito com os dentes trincados,
como um cachorro babento e feroz por socorro.

A areia da praia, a brisa e o mar.
O céu de outono, o vasto abismo daquele olhar.
Sem rumo, me afogo sem chances de vida.
Tudo perde o sentido.
Fico cego juntamente com a escuridão.
Tu és minha candeia.
Fonte de luz eterna.
Porém, longe como estas apenas se parece como uma estrela,
que se enxerga, contudo não se sente a sensação de calor.

O frio me consome.
Minha pele arranquei e vendi ao barqueiro para me levar ao Partenon sagrado.
Humilde servo me faço.
 De joelhos e com os pés amarrados.
Crueldade é vagar sem luz e sem deixar pegadas.

As marcas dos açoites trago comigo,
e o chicote das chibatadas levas consigo.

Um último olhar me deu antes de sumir.
A frase: - Posso te amar? , está agora como interrogação física,
 que não se sabe a resposta, mas se sonha com o êxito,

As correntes que levo, junto das lembranças,
não param de me insultar.
Meus ombros partilham da agonia.
A melancolia é o suor no rosto.
O cansaço é meu sobrenome e
minha origem perdeu-se em algum vale desolador.

Se estas bem assim, viva teus dias.
Entretanto, se ainda existir importância para ti,
vais saber por uma boca qualquer que,
o homem um dia vivo,
agora vaga assombrando a própria sombra e pensando na perda.

Foste para longe de mim!

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