Ergo os olhos.
O olhar que viu.
Que sentiu a prosa no ar.
Observando sem cautela, o narrar é simples.
Sinto a história, a retórica, a escória suja tonteando a pureza.
Vozes, gestos e dilemas.
Ergo os olhos, nasço e morro. Pronto par contar, porém sem envolver-me.
O lapso do desejo. O pileque ardente, a dose interminável.
Faz calor e frio; choro e rio; mordo e assopro.
Ergo os olhos... Vejo de longe ela vindo de branco. Pele sutil, andar perigoso.
Mastigo as palavras e cuspo narração.
Aquela que se observa. Sou a terceira pessoa.
Cúmplice e vítima. Infeliz por ter que estar longe... Bem longe de estar perto.
Com servidão me exponho.
Pouca lucidez, mero parecer.
Confuso não é contar, mas sim porque estar longe.
Guardo o cheiro, as pegadas e as marcas,
porque conto hoje depois de observar e contarei amanhã,
depois que me lembrar.

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