Reencontro explosivo

            Enfim, o dia chegou. Parei, olhei para a varanda no alto do prédio e imaginei que fosse lá. Imaginar nem sempre é o bastante para vencer o real. Desta forma, resolvi ligar para o telefone que tinha, e logo tive certeza. Feliz fiquei, afinal minha imaginação ainda estava fértil.
          Depois de alguns segundos, um estalo fez o portão da entrada se abrir, e automaticamente meu braço se esticou para escancará-lo , dando passagem para o resto do meu corpo. Passei pelo tolo do porteiro, que nem se deu ao trabalho de perguntar quem eu era ou para onde ia. Se o padre não está na missa, não sou eu que vou rezá-la. Sendo assim, avancei pela escada, saltitando os degraus empoeirados.
          De frente para a porta sentia meu estômago se revirar, e quase não consegui tocar a campainha. A porta se abriu. Era ela mesma. Linda e irresistível como sempre. Entrei com a cabeça erguida, olhando fixamente para ela, quase babando de tanta adrenalina. Alguém disse para entrar e ficar a vontade, mas de alguma forma eu já estava. Sentia muita vontade de segurá-la, tocá-la sutilmente e bruscamente se o movimento assim pedisse. Precisava ter calma, contudo a ansiedade quase me consumia. A dona do meu coração me olhava e parecia querer se jogar em minhas mãos.
          Por alguns instantes imaginei meus dedos nela, penetrando seus temores, alisando seu corpo e recuperando todo o tempo perdido. Meu coração pulsava como uma locomotiva passando pelos trilhos. Não tive escolha e sentei ao lado dela, cruzando as mãos e sentindo seu cheiro. Estávamos sozinhos, então por que não aproveitar aquela loucura?
          Segurei-a, pus em meu colo e passei a mão nela sem pressa. Não me preocupei se alguém poderia estar  nos observando. Continuei... Eu era livre, ela era minha, portanto nada nem ninguém me influenciariam a parar. Respirei fundo e montei... o primeiro acorde na posição que mais gostamos. Depois não mais parei, e os movimentos foram quase incontáveis. Meu corpo estava incendiado, movendo-se em busca daquelas sensações.
          Logo estava saciado e com a garganta seca. A manhã estava completa, o momento perfeito e divino. Foi uma loucura. Levantei-me e a segurei firme, dando adeus para a voz educada que me recebeu. Só queria chegar em casa para passar a tarde e a noite nesse clímax irrecusável com minha guitarra novinha em folha, depois de tanto tempo no conserto.

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