1º de Maio


       Tirei a camisa do cabide. Olhei, olhei novamente. Como usá-la? De tão amarrotada, meu estômago se revirou. Cabide + roupa amarrotada = Incoerência, pois para que serve o cabide, senão para evitar que a roupa se amarrote?   Sim, o problema começara em outro lugar: Na tábua de passar roupas, nas mãos da dona...
ELVIRAAAAAA!!!!
      A Paraíba, na certa, não a passou corretamente. De cima para baixo ou debaixo para cima, não importa, ela devia ter feito o serviço direito.  Este, de fato, estava ‘’esquerdo’’, e além de não ser canhoto, eu estava tremendamente  atrasado. Não havia solução para o meu dilema. Era quarta-feira, dia de usar camisa listrada, ou seja, usava aquela ou iria pelado.
      O reflexo no espelho precisava me agradar, e o tal narcisismo jamais poderia faltar. Joguei-a para o alto, taquei no chão, pisei em cima, porém meus pés só fizeram a situação piorar. De amarrotada, ficou amarrotadíssima  e com a marca do meu pé suado , tamanho  quarenta  e três.
      A ideia de obrigá-la a me ajudar com minha vaidade não saia da minha cabeça, contudo era 1º de Maio, e os trabalhadores, todos eles estavam em casa, falando mal de seus patrões ou dormindo até tarde. Exceto eu, porque sou autônomo e meu próprio patrão. Vendo guaraná para bocas secas. Lá ia eu começar o meu dia com extrema chateação.
      Recusei-me a passar minha camisa, pois, afinal era o Dia do Trabalho. Queria massagear a raiva que sentia. Fiz-me de bobo, malandro e sorrateiro. Desci correndo, tomei um café forte do dia anterior, mastiguei um pão de linhaça e parei para pensar. Pensei como homem, homem trabalhador em seu dia de glória. Estiquei a lombar, esqueci-me de tudo, peguei minha heroica ‘’ARO 18’’ e fui pescar.


                              NO DIA DO TRABALHO, HONRE SEUS PRIVILÉGIOS!

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