Enquanto o poeta dorme


       A melodia que o coração produz está silenciada. Pensamentos , ideias e sentimentos minuciosamente calados na noite calada.
O céu azul noturno , com estrelas adornadas se sente solitário e com saudade de servir de inspiração para estrofes bem desenhadas. Sente ciumes dos sonhos que o poeta pode estar tendo e tenta de todas as formas chamar sua atenção.
A partir daí , a atmosfera se transforma em pesadelo. Nuvens carregadas se ajuntam , e o brilho das estrelas é trocado por luzes que traduzem relâmpagos e raios destemidos , parecendo gritos de criaturas irritadas.
       O poeta se revira , acorda e salta assustado. A inspiração está exigindo ser usada. Os versos precisam ser traduzidos em paixão. Pisca os olhos  , seu coração acelera e a melodia começa a quase ser iniciada. A caneta olha com pavor. Esta seria a saída?
O sono o vence e novamente ele adormece. Os sonhos voltam e cantam como uma revoada. A cama se torna um abismo sem fim.
A chuva cai como maré sem controle , sem dono , sem patentes.
A poeira arranca suas vestes e arranha sua pele. Seus nervos se sentem aflorados. Ele grita em silêncio  , buscando sua razão. A perdição o aliena e constrange as paredes , que parecem quase cair me cima dele .Sua alma está doente pela falta da expressão. Os raios quebram seu sossego e matam seu sono.
De pé ele se põe. Olha para as folhas voando sem ordem e mil palavras tentando tragar suas vontades. Elas os querem e ele as deseja. Grita para si , entende o que se passa e atende o chamado. E , então ele escreve :

NOBRE POESIA , PALAVRAS DE MEU SER.                                                                                           DOU-LHES TODO O MEU  QUERER NO DIA
DE TREVAS , NA NOITE DE MORTE E SOLIDÃO.
DEIXO PARA TRÁS POR FRAQUEZA , IGNORÂNCIA
E EGOÍSMO , MAS A EMOÇÃO VENCE-ME POR INTEIRO.
POESIA , EU TE QUERO E A VOU TER , POIS SEM TI
DE DIA OU DE NOITE ; DORMINDO OU ACORDADO ,
NÃO CONSIGO VIVER.

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