E lá se vai o meu amor

    


    Quando o trem partiu naquele fim de tarde , suspirei , vendo a distância nos afastar , deixando ainda um traço de fumaça branca , como as nuvens do nosso amor. A Estação estava vazia , com papéis amassados , que rolavam para os trilhos com o vento da locomotiva feroz , rugindo como um leão.
     Queria me tornar parte daquele lugar , só para não perder aquela cena. A despedida doía e fazia meu coração bater lentamente , desfalecendo com a sensação da solidão. Tinha que virar as costas e ir embora , porém não conseguia , ou simplesmente não queria.
     O último olhar estava no meu , como o reflexo de um cisne em um lado límpido e calmo. Minhas mãos ainda sentiam as dela e seu perfume ainda acalmava minhas narinas. Meu estômago se contorcia e minha pele estava arrepiada. Lembrava com os olhos cerrados das últimas palavras ditas na noite anterior, Deitados em nossa cama , só com um lençol de seda nos cobrindo , nos beijamos e nos mantemos colados , compartilhando amor e suor.  Inevitavelmente , uma lágrima escorreu de meu olho esquerdo , que no mesmo instante foi consolado pelo direito. Não via mais a traseira de ferro e a fumaça tinha se esvaído pelos corredores da Estação.
     Tinha uma estranha impressão que ela estaria na minha frente em um piscar de olhos , mas foi apenas uma falsa impressão , pois a decisão já tinha sido tomada. Em horas ela estaria há muitos quilômetros de mim e meu amor teria que ser muito forte para poder senti-la. No auge da saudade , com certeza eu lembraria dos bons momentos , das tardes infinitas e do céu estrelado de cada noite , que me via dizer: - EU TE AMO !
     O trem vai sorrateiro , deixando as recordações vivas e o cheiro do adeus em plena Estação.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Beijo egípcio

Soneto da alegria