Na sétima avenida






   Ela ainda estava no começo do calçadão , cambaleando em cima de seu salto , e se equilibrando com o dançar de seus cabelos castanhos. Seu olhar estava dividido entre ver o caminho que fazia e o relógio dourado , com pedrinhas de diamante , mostrando aparente atraso. Seu vestido balançava sutilmente dentro de uma harmonia com as suas pernas , e o perfume fazia com que as inúmeras narinas disputassem pelo melhor respirar. Um bando de narizes cafungando sem parar. Seu ritmo ia aumentando , e cada vez mais ela se aproximava  , dando clareza de seus traços para os olhos babantes que a notavam. Os machos em posição de ataque , os pintores a transformando em personagem de seus quadros e os músicos a imaginando como a tal garota de Ipanema.
    Foi então , que na sétima avenida ela penetrou , com seus pés serenos e suas curvas delirantes. Era uma quinta-feira , dia sete de Julho , e por isso , um mês incrível se fez. Como onda que se forma e quebra na areia branca , ela passou, liberando toda a sua maresia numa só baforada. Os raios do sol a esconderam , e a fizeram sumir , deixando para trás somente um rastro de lembrança. Então , pedi mais um café , ajeitei a gravata e fechei meu caderno de escritos , pois na sétima avenida , mais uma crônica estava feita.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Beijo egípcio

Soneto da alegria