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Houve um tempo em que tudo era chá. Chegava a ser cha-to!
Vovó descia para o jardim e catava uns " matos medicinais".
Tosse, febre, diarreia. Vômito, dor e tonteira. Ou tudo junto!
Uma folhinha socada e pronto. Bebia-se quente, pois até o vapor era um ser curandeiro.
Após o chazinho, alguns até davam umas pernadas pela rua, pois suar iria eliminar os males.
Somos, hoje, tão tecnólogos. Tudo é no digital e nos conceitos TECNOBACILOS de ponta.
Todos correm para os médicos. O chazinho da vovó morreu de fome e na solidão.
Às vezes, parece que o GPS facilitou tanto, que as pessoas descobriram o caminho do hospital e esqueceram as plantinhas.
Mas por que quase ninguém confia mais nos chazinhos da vovó?
Bom, alguém seu disponha a refletir sobre isso, pois sobre os chazinhos, eu já refleti.


Por que tenho que fazer tudo?
Fui tentar dar-lhe todo o ouro do mundo, mas fui assaltado!
Poderia até chover, pois molhado já estava.


E assim foi, até que descobriu que os boatos eram poéticos.


Fez-se a poesia.


Sinestesia.


E o sal consumiu o ímpeto por falar a verdade.


Tornou-se um mito!
Heitor chegou tão surpreendente quanto a notícia de sua gestação. A BOLSA ESTOUROU!

As escadas do hospital viraram uma academia, onde um pai ansioso saltava os degraus para tentar não ser dominado pelos pensamentos 50% bons, 50% ruins sobre o nascimento.

As paredes brancas do corredor não lhe trouxeram tranquilidade, e por isso, estava ali, se exaurindo; correndo; suando e tentando não pensar.

Entra e sai de pessoas. Correria. Alguém foi para as escadas. Iria também correr?

Um pai sentado, suado e exausto. O outro de pé, recitando um canto de Édipo Rei e fumando uma fila de cigarros. Entre um pesado respirar, um trago e uma tosse.

TROCARAM DE LUGAR!

Alguém abriu a porta.

- Ei, é proibido fumar!

Um pensou: - Que merda!

O outro: - Ufa, ainda bem!

Os dois na mesma situação. Espera, seguida de espera, abanados pela frustração da demora.
A mente humana é um abismo, onde são jogados dados. Quem tirar ímpar espera pelo par, pois não se pode ficar sozinho.

A catábase é feita todos os dias. Alguns trazem…

Dois Joões e uma Maria

Chegou o dia tão esperado: O sol voltou a raiar.
De frente para o espelho, penteou o fino bigode e pôs-se a erguer a face.


Chegou o dia tão esperado: O sol voltou a raiar.
De frente para o espelho, raspou sem muita maestria o fino bigode, abaixando a face e tocando o queixo no peito.


Chegou o dia tão esperado: O sol voltou a raiar.
De frente para o espelho alinhou as sobrancelhas e levemente colocou o tom de azul do céu nos lábios com um batom.


Correu pelo frio e carente corredor da casa, abrindo as janelas para o tal sonho entrar.
Colocou comida para o velho gato quase cego. Tomou dois copos de água e agrediu o silêncio do ambiente com um intenso bocejar.


Andou lentamente pelo fio e carente corredor da casa, deixando as janelas bem fechadas e tomando certeza de que o sol não entraria.
Comeu a comida do velho gato quase cego. Tomou dois copos de vinho e permaneceu em silêncio.


Saiu e andou pela casa, sentindo o cheiro salgado da maresia vinda do mar.
Pensou no sol, mas preferiu senti-lo ao sair …
Se fosse coito, estaria afoito
As mãos tremeriam e as pernas se embolariam.


Se fosse coito, pensaria só em terminar e não estaria pensando no começo
Mas, o começo também tem um fim. E o fim pesou em mim.


Os ombros quase viraram cacos
Rastejei até o tapete e esfreguei a barba
O largo tempo virou uma curta lembrança
Entusiasmado, porém coagido a estar depreciado.


Se fosse coito, não me lembraria
Se fosse coito, tudo seria coito e...


ESTARIA AFOITO!
Se me levas ao céu, eu me importo
Se tragas-me no importuno momento
em que pensava em ti, eu me importo


Se me acusas de amor sincero e intenso, capaz de liquidar o sombrio vento da solidão, eu não me importo


Minha culpa é de ter sido envolvido pelas palavras da poesia
vulcão em fúria, explodindo a tortura que dói, mas lava a alma com a paixão


De fato, estar na condição de culpado pelos versos que a alma produz, leva-me a dizer:


-EU NÃO ME IMPORTO!